Os direitos humanos foram desenvolvidos de forma a garantir entre muitos, o da educação para todos sem distinção. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos está de acordo com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) inseridos no documento da Agenda 2030 da ONU. No Brasil, garantir que todos os jovens e adultos estejam alfabetizados, tendo adquirido os conhecimentos básicos em leitura, escrita e matemática, até 2030 é uma utopia que vai de encontro a atual crise da Educação de Jovens e Adultos no Brasil (EJA). Os caminhos da EJA no Brasil foram pontuados por políticas públicas as quais foram construídas e desconstruídas em função do capital, de interesses sociais, políticos e econômicos do país, cada qual em sua época, influenciando de forma danosa as questões epistemológicas, pedagógicas e estruturais dessa modalidade de ensino.
Atualmente a EJA vem enfrentando vários desafios e atravessando várias crises, sendo um dos fortes motivos, o fracasso das políticas públicas e a falta de fundos capitais a serem disponibilizados. No universo dos grandes desafios enfrentados pela EJA há a realidade de baixo investimento em educação no Brasil, a qual vem declinando progressivamente desde 2010 até os dias atuais. Há uma constatação sócio histórica do progressivo esvaziamento da EJA no sistema de educação básica, revelada pelas pesquisas e dados estatísticos que apontam para um processo de fechamento de escolas, turmas e a diminuição de matrículas na EJA.
Problemas como a queda na matrícula soma-se a frágil cultura do direito à educação para os adultos que enfrentam a dificuldade de conciliar trabalho, família e escola. Entretanto há um grande contingente de brasileiros que ainda necessita concluir o Ensino Médio. Com boas políticas públicas e melhor investimento a EJA pode proporcionar a muitos brasileiros melhores oportunidades de emprego e até o ingresso em cursos de nível superior. Para isso é necessário cessar o desmonte das políticas de EJA com governança democrática; promover ações de resgate da educação de pessoas jovens e adultas como direito humano e rever suas Diretrizes Curriculares Nacionais de forma a novamente considerar as situações socioeconômicas e socioculturais do público da EJA.
Como forma de obter percepções dos alunos sobre a EJA, foi realizado no presente trabalho um estudo de caso com uma amostra de maioria feminina com idade entre 17 e 69 anos matriculadas regulamente em EJA IV (8 e 9 anos do ensino fundamental) nas escolas (1) Escola de Ensino Fundamental Herondina Lima Cavalcante e (2) Escola de Ensino Fundamental Cristo Redentor, ambas localizadas na cidade de Fortaleza, Ceará, Brasil.
Os dados da intervenção foram obtidos através da aplicação de um questionário semiestruturado que revelou que os alunos necessitam da EJA, se sentem motivados a continuar os estudos e terminar o ensino médio. Outros alunos querem ingressar numa faculdade, como forma de busca de melhoria da qualidade de vida.
Ao serem interrogados sobre como a EJA poderia melhorar, as fundamentais propostas foram acerca da flexibilidade de horário; maiores investimentos na escola; novos métodos de ensino; acesso as tecnologias de informação e inclusão digital. A amostra de alunos entrevistada percebe que somente com boas políticas públicas e maior investimento em educação, a EJA pode de fato oferecer o que suas bases constitucionais propõem: educação gratuita e de qualidade para adultos que não conseguiram estudar ou complementar seus estudos e para milhares de jovens brasileiros que por vários motivos, principalmente o de ter que deixar os estudos para trabalhar e auxiliar suas famílias com baixa renda.
Palavras-chave: Educação – políticas públicas – crise – EJA – desafios

