Deuzeli Rodrigues Gama1
RESUMO
A pandemia da COVID-19 provocou uma série de transformações abruptas em diversos setores da sociedade, especialmente na educação. O fechamento das escolas e a adoção do ensino remoto emergencial, como medida de contenção do contágio, impuseram desafios significativos ao processo de ensino e aprendizagem, afetando diretamente o desenvolvimento de habilidades fundamentais como a leitura e a escrita. Esta dissertação tem como objetivo investigar os impactos do isolamento social causado pela pandemia no processo de desenvolvimento da leitura e da escrita em alunos do 2º ano do Ensino Fundamental da rede municipal de Fortaleza. Considerando que esta etapa da escolarização é crucial para a consolidação das bases da alfabetização, torna-se essencial compreender os efeitos das interrupções pedagógicas e das adaptações forçadas ao modelo remoto. A presente pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, embasada em revisão de literatura e análise de dados fornecidos por fontes oficiais, como a Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza, além de entrevistas com professores da rede pública que atuaram durante o período pandêmico. Os principais referenciais teóricos utilizados incluem autores como Ferreiro e Teberosky (1999), Soares (2004) e Freire (1996), que tratam da alfabetização como um processo dialógico, interativo e social. Os dados analisados apontam para um quadro preocupante de defasagem na aprendizagem, sobretudo entre alunos em situação de vulnerabilidade social, que enfrentaram dificuldades no acesso às tecnologias, na mediação familiar e na continuidade dos estudos em casa. Além disso, observou-se que a ausência do ambiente escolar — espaço privilegiado de interação, mediação pedagógica e construção coletiva do conhecimento — comprometeu não apenas o desenvolvimento cognitivo, mas também afetivo e social das crianças. O estudo evidencia que, apesar dos esforços empreendidos por professores e gestores, como a criação de materiais impressos, videoaulas e atividades por aplicativos, a eficácia dessas estratégias foi limitada diante das desigualdades estruturais. A dissertação também discute as ações posteriores ao retorno às aulas presenciais, incluindo políticas de recuperação da aprendizagem e o papel fundamental da escola no acolhimento e na reconstrução dos vínculos pedagógicos. Conclui-se que os impactos do isolamento social no processo de aprendizagem da leitura e da escrita foram significativos e exigem ações coordenadas de curto, médio e longo prazo para mitigar seus efeitos. O estudo pretende contribuir para o debate sobre a superação das lacunas educacionais intensificadas pela pandemia, oferecendo subsídios para a formulação de práticas pedagógicas e políticas públicas que valorizem o desenvolvimento integral das crianças da rede municipal de Fortaleza.
Palavras-chave: Pandemia. Ensino Fundamental. Leitura. Escrita.
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1Mestrado em Ciências da Educação, UNADES/PY

