Artigos

Theresa Christine Filgueiras Russo Aragão1; Carlos Alberto Carneiro Cruz2; Antonio Edinaldo Ferreira da Silva3; Monica Maria Nunes4; Anderson Silva Oliveira5; Edilson da Costa6; Cícera Alves Nunes Lopes7; Roseneire Souza Lemos8; Francisco Elionardo Oliveira Soares9; Jorgelino Rocha Leão10; Ligia Maria Ferreira11; Francildo Galvão da Silva12; Edna Gonçalves Oliveira13; Ailton Barbosa de Santana14

RESUMO

Compreender a realidade escolar a partir da ótica desses docentes significa reconhecer a natureza situada e plural do conhecimento docente, um saber que se constitui na interface entre a formação acadêmica e a experiência prática, moldado pelas condições materiais e simbólicas do contexto rural do Ceará. Nesse sentido, o presente artigo comunica opiniões e percepções de uma amostra de professores lotados em escolas públicas do interior do estado do Ceará, incluindo a zona rural, contemplando desafios e dinâmicas no complexo manejo do processo de educar. A premissa é a importância da escuta das percepções e opiniões de professores que atuam em escolas públicas da zona rural cearense como um relevante marcador metodológico e político para a pesquisa educacional. Dificuldades como acesso à água potável, transporte escolar precário e evasão escolar foram discutidos. Além disso, os professores opinaram sobre o uso de políticas públicas desenhadas a partir de matrizes curriculares urbanas em escolas rurais, bem como a necessidade de incorporar saberes locais do sertão cearense, como o manejo da caatinga, plantas medicinais, cultura do vaqueiro, festas religiosas (como o pau da bandeira), artesanato em renda e couro, literatura de cordel, para que os alunos da zona rural se reconheçam como sujeitos de conhecimento e não apenas como consumidores de uma cultura que lhes é estranha. As falas dos professores revelaram ainda estratégias de articulação e diálogo com as famílias de modo a sensibilizá‑las sobre a importância da escola para seus filhos.  Percepções e opiniões sobre modelos de formação continuada adequados ao professor da zona rural também foram discutidas. Conclui‑se que, dar voz aos professores cearenses lotados em escolas públicas nas áreas rurais consiste em um meio significativo de “leitura do mundo” que permite aos leitores conhecer a realidade laboral desses professores, fundamentalmente as condições para a efetividade do seu trabalho como educador e colaborador na formação de sujeitos críticos e transformadores, capazes de solucionar problemas.

Palavras‑chave: Escuta docente. Educação na zona rural cearense. Saberes locais. Formação continuada.

PERCEPÇOES E OPINIÕES DE PROFESSORES DA REDE DE ENSINO PÚBLICO SOBRE A DINÂMICA E OS DESAFIOS EDUCACIONAIS NO CONTEXTO DA ZONA RURAL

Monalisa Catalani Zamboni Kiekebusch1

RESUMO

O presente artigo discute os postulados da Teoria do Apego Seguro que sustenta que os vínculos estabelecidos entre uma criança e seus cuidadores, na primeiríssima infância, modulam a forma com que a criança responde quando exposta a contextos sociais que, se positivos, favorecem o desenvolvimento de habilidades comportamentais seguras e emocionalmente equilibrada, se negativos, podem gerar insegurança e dificuldades com prejuízo para o comportamento apresentado, destacando a importância dos processos de corregulação emocional que se estabelecem entre ambos. Essas primeiras interações influenciam diretamente a construção da autorregulação emocional e das habilidades sociais infantis, refletindo posteriormente no ambiente escolar, onde professores e psicomotricistas relacionais preventivos assumem a função de novos correguladores emocionais. O papel do psicomotricista relacional preventivo é central nesse processo, ao oferecer um ambiente acolhedor, interpretar manifestações simbólicas e promover intervenções baseadas na empatia e na compreensão do vínculo afetivo. Conclui-se que a integração entre teoria do apego, corregulação emocional, reforça e agrega mais fundamentos à prática psicomotora relacional ampliando e potencializando as possibilidades de intervenção sensível com maior eficácia para desenvolvimento integral da criança em contextos educativos e terapêuticos.

Palavras-chave: Apego Seguro. Corregulação Emocional. Psicomotricidade Relacional.

ABSTRACT

The article discusses the postulates of the Attachment Theory that argues that bonds established between a child and their caregivers, in the first three years of life, modulate the way in which the child answer when they are exposed to social contexts that, if positive, promote the development of safe and emotionally balanced behavioral skills, if negative, can generate unsafe and difficulties with prejudice for the behavior presented, highlighting the importance of the emotional coregulation processes that are established between both. Those first interactions directly influence the construction of emotional autoregulation and of children’s social skills, reflecting posteriorly in the scholar environment, where early childhood educators and preventive relational psychomotor therapists assume the function of news emotional coregulators. The paper of the preventive relational psychomotor therapist is central in this process by offering a welcoming environment, interpreting symbolic manifestations and promoting interventions based in the empathy and in the comprehension of affective bond. It is concluded that the integration between Attachment Theory and emotional coregulation reinforce and add more fundamentals to relational psychomotor practice expanding and enhancing the possibilities of sensible intervention with greater effectiveness for the integral development of the child in educative and therapeutic contexts.

Keywords: Secure Attachment. Emotional Co-regulation. Relational Psychomotor Skills.

PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL_ O APEGO SEGURO NA CORREGULAÇÃO EMOCIONAL DAS CRIANÇAS BEM PEQUENAS NO SETTING ok

Camila Venâncio Barros1

RESUMO
Esta pesquisa teve o propósito em compreender e analisar a matrícula inclusiva e a permanência na prática de criança com deficiência no CEI Rogaciano Leite em Fortaleza, Brasil – Estudo de Caso. A inclusão hoje na escola surge visando garantir que todos se matriculem e frequentem a sala de aula comum, independentemente do tipo de deficiência e de suas especificidades. Com uma matrícula voltada para inclusão, à criança com deficiência permanece incluída e integrada com todas as outras crianças em sala de aula, com suas atividades adaptadas e um desenvolvimento integral de aprendizagens satisfatórias no Centro de Educação Infantil, Rogaciano Leite em Fortaleza. Essa foi a problemática a ser elucidada, tendo como objetivo investigar analisar como ocorre a matrícula inclusiva e a permanência de criança com deficiência, se está sendo integrada em sala com as demais crianças, bem como, o papel do CEI frente aos desafios de uma escola para todos. Os resultados das análises da pesquisa pontuam a necessidade não só de uma matrícula inclusiva, mas também a permanência do aluno com deficiência em sala de aula regular de forma permanente com todos no processo de inclusão. Os obstáculos apontam a necessidade de uma inclusão não apenas dos alunos, mas também do acesso dos professores a formação constante em novas habilidades para conectar o saber em diferentes formatos, atendendo as diferenças de aprendizagem em cada deficiência, bem como o acesso ao AEE, por todas as instituições da rede, como maior número de professores para realizar esse atendimento. Esta pesquisa tem sua relevância por considera importante um trabalho para reflexão de gestores, professores e pais onde o CEI não deve só fazer uma matrícula inclusiva em massa, mas também instigar a observação e construção de uma rede de apoio permanente a real inclusão, garantindo com qualidade e equidade a permanência de todos os discentes e que os professores, que os atendam diariamente, possuam acesso ao saber teórico, com formações adequadas, que os ampare na prática, os preparando para os desafios diários que a real inclusão impõe e não simplesmente torná-la acessível, mas ser proativo na identificação de barreiras e eliminação de obstáculos que levam a exclusão, onde deveríamos ter inclusão.

Palavras-chave: Matrícula inclusiva. Permanência. Criança com deficiência. CEI. Sala de aula.

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1Professora da rede municipal da cidade de Fortaleza, Ceará, Brasil. Mestra em Ciências da Educação pela UNADES/PY.

MATRÍCULA INCLUSIVA E A PERMANÊNCIA DE CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA NA SALA REGULAR NO CEI ROGACIANO LEITE EM FORTALEZA, BRASIL ESTUDO DE CASO